quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Endometriose: 1 em cada 10 mulheres tem. E você?

Nosso papo hoje é SAÚDE!
Sentir muita dor durante a menstruação, ter fluxo intenso e dificuldade de engravidar é normal, certo? Errado! Esses são sintomas de que algo no seu organismo pode não estar funcionando bem. E é bem provável que você faça parte dos 10% das mulheres que têm endometriose.

Para saber mais sobre essa doença, nós do Clube do Rímel, conversamos com o super querido ginecologista Leonardo Bezerra, que é professor de ginecologia da UFC e médico do setor de Endometriose da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, da Universidade Federal do Ceará/Ebserh.


O que é endometriose?
Dr. Leonardo Bezerra (L.B.): A endometriose é uma doença crônica, inflamatória que ocorre durante o período reprodutivo da vida da mulher, caracterizando-se pela presença de tecido endometrial, a parte de dentro do útero que menstrua todo mês, fora da cavidade uterina. Esse tecido anormal pode estar localizado sobre os ovários, trompas, bexiga, intestino e sobre o próprio útero. Assim como o endométrio normal sangra todo mês, esse tecido endometriótico tambem sangra, só que sobre a superfície desses órgaos e dentro da cavidade abdominal dessas mulheres. Além de sangrar esse tecido causa muita inflamação e dor, aumentando progressivamente mês a mês, ano após ano.

E o que causa a endometriose?
L.B. : O refluxo menstrual, que ocorre em grande número de mulheres mas que gera endometriose naquelas com alterações imunológicas e genéticas. Ou seja, todo mês, a grande maioria das mulheres que tem fluxo menstrual pela vagina também tem um certo grau de refluxo da menstruação através das trompas para dentro da cavidade abdominal. Esse tecido endometriótico que veio pelo refluxo menstrual é, geralmente, destruído e reabsorvido pelas células do seu sistema imunológico. Entretanto, em algumas mulheres isso não acontece. Daí, esse fluxo menstrual liberado todo mês para dentro da cavidade, gera inflamação, aderências e alterações dos órgãos que estão em contato.


Por que deve ser tratada?
L.B.: A mulher que tem endometriose perde qualidade de vida e auto-estima. Não consegue ter uma rotina normal. Geralmente falta muito ao trabalho,  abandona a faculdade, tem problemas no casamento por não conseguir ter uma vida sexual sem dor. É um sofrimento incapacitante. Tenho pacientes que não conseguiam se levantar da cama nos dias de mensturação. Sem falar que pode causar infertilidade. Mas hoje há tratamentos cirúrgicos, com medicamentos ou fisioterapia que levam à cura.

Então tem cura?
L.B.: Atualmente, com os tratamentos mais modernos, pode-se dizer que sim. Até poucos anos atrás, o índice de cura era de 40% e a recuperação era muito lenta. Hoje,cerca de 90% das mulheres operadas que seguem as recomendações de medicamentos e fisioterapia conseguem menstruar normalmente, sem dor e até ter filhos por método normal. 

Que avanços o tratamento teve nos últimos anos?
L.B.: A cirurgia ginecológica avançou muito, os profissionais estão mais preparados e já fazem uma avaliação mais ampla considerando a possibilidade de endometriose. Os equipamentos de diagnóstico por imagem também são muito mais precisos, a videolaparoscopia, por exemplo, faz a biopsia e trata ao mesmo tempo, limpando todos os focos de endometriose. Também há bem mais informação na mídia, fazendo com que as mulheres com os sintomas procurem o médico logo que desconfiem que podem ter endometriose e aceitem melhor o tratamento, quebrando tabus e recuperando a qualidade de vida.

Mas o tratamento é muito caro?
L.B.: É bastante caro, mas no Ceará, por exemplo, a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC) oferece todo o tratamento gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). E com o diferencial de ser multiprofissional, ou seja, somos uma equipe não só de ginecologistas, mas coloproctologistas, urologistas, fisioterapeutas e, em casos mais específicos, psicólogos e psiquiatras. Essa integração das diferentes especialidades que analisam caso a caso o tratamento mais adequado a cada mulher tem trazido resultados impressionantes. Temos uma paciente que há um ano não conseguia caminhar e hoje corre 10km em corrida de rua. E muitas outras que, depois de anos de sofrimento, conseguem ter uma vida normal e sem dor.

Dr. Leonardo Bezerra é professor de Ginecologia da UFC


Serviço:
A Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC) forma, junto com o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), o Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh. Para ser atendida no Setor de Endometriose, a paciente deve procurar uma Unidade Básica de Saúde e, após avaliação, pedir ao médico encaminhamento para a MEAC, que presta 100% dos seus serviços gratuitamente. 


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