sábado, 17 de outubro de 2015

Câncer de mama: Você vai lutar ou desistir?

Uma batalha que você pode vencer ou perder! Essa é a realidade enfrentada por quem recebe o diagnóstico de câncer. E como estamos no mês de outubro, que é dedicado à prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, vamos falar um pouco sobre ele e contar a história de uma cearense “arretada” que enfrenta a doença com muita garra e vontade de viver.

O câncer de mama é, infelizmente, o que mais atinge as mulheres. Não é comum antes dos 35 anos, mas acontece. Depois dessa idade aumenta a chance dele aparecer, por isso é tão importante não descuidar e ficar atenta sempre ao próprio corpo.

Já viu que não é brincadeira, né? Então, prepare-se para conhecer a história da Wivi Nogueira, que sem fraquejar enfrenta essa batalha com muito bom humor, criatividade e sorriso no rosto. Inspire-se!


Como foi descobrir o câncer de mama aos 35 anos?
Wivi Nogueira (W.N.): Não foi fácil! Eu tinha acabado de sair de uma empresa que trabalhei por quase 10 anos e só estava com 3 anos de casada, na preparação para ter um filho e fazendo tratamento para engravidar. Foi quando através de um exame de rotina descobri um nódulo estranho no meu seio esquerdo. Procurei minha ginecologista e no exame de ultrassom constatou ser um nódulo benigno, contudo eu não desencanei e solicitei um encaminhamento para um mastologista, pois algo dentro de mim pedia pra eu investigar. Como a ultrassonografia apresentava benignidade o médico me encaminhou para uma biópsia pré-operatória para agendarmos a retirada do tal nódulo benigno. Durante esse procedimento (biópsia guiada por ultrassom)  ficou constatado que pelas imagens não apresentava nenhuma malignidade e que eu não tinha com o que me preocupar. Fiquei tranquila e fui pra casa. Passados 15 dias para entrega do resultado, eu recebi um laudo que dizia: Carcinoma Ductal Invasivo – GRAU 2. Eu estava com CÂNCER! E agora?
Esse deve ter sido o momento mais difícil, né?  
(W.N.): Sem dúvida o dia da descoberta foi o mais difícil (14/10/2013), uma data que eu jamais esquecerei. Três profissionais afirmaram anteriormente que não era nada demais e que eu não tinha com o que preocupar. E pelo fato também que eu não tinha nenhum histórico familiar da doença, em nenhum momento eu imaginava que isso poderia acontecer comigo. Foi um grande susto, uma mistura de sentimentos, medo de morrer, de sofrer, de deixar meu marido e minha família e também de ficar feia e de perder meus cabelos. Foram muitas dúvidas e muitas, muitas lágrimas...

Chegou a hora de enfrentar a doença. Como foram as sessões de quimioterapia?
(W.N.): No meu tratamento foram necessários 06 ciclos de quimioterapia (sessões à cada 21 dias) + 17 aplicações de uma vacina chamada Herceptin (aplicações durante 1 ano + medicação oral diariamente). As quimioterapias provocam diversas reações. Eu senti uma reação diferente a cada sessão, entre elas: Alopecia (perda dos cabelos, pelos, cílios e sobrancelhas), forte dor no corpo, náuseas, vômitos, falta de apetite, moleza e febre). Devido essas reações, que chamamos de intercorrências, foi necessário duas internações, uma devido a fortes dores abdominais, disenteria, perda de peso e desidratação e a outra já no final do meu tratamento, onde eu recebia só a vacina através do cateter, onde acabei pegando uma bactéria e, por isso, tive que ficar uma semana internada para tratamento com antibióticos.
E a perda do cabelo, como você encarou?
(W.N.): Logo no início, quando eu não tinha nenhuma informação sobre minha doença, essa foi uma das minhas maiores preocupações. Como eu ficaria sem meus longos cabelos? Mas confesso que em pouco tempo esse “detalhe” ficou de lado, pois o que eu queria mesmo era ficar boa. Antes da minha primeira sessão de quimioterapia, eu já havia cortado meu cabelo bem mais curto (estilo chanel) e tinha comprado uma peruca no mesmo corte, para que eu não sentisse tanto quando ele caísse. Enfim, após 14 dias da minha primeira sessão de quimioterapia meu cabelo começou a cair rapidamente, então eu não quis esperar vê-lo cair todo e decidi raspá-lo totalmente. Lembro bem que foi na sexta-feira de carnaval. Meu marido raspou também comigo na mesma hora, e minha mãe também cortou curtíssimo e isso me ajudou muito, eu achava que sofreria neste dia, mas foi tranquilo e eu até me diverti.
Como ficou a sua vaidade, sem com todo o apoio que você teve?
(W.N.): A perda dos cabelos é sem dúvida um fator que mexe na vaidade feminina, e comigo não foi diferente. Contudo como eu sempre fui muito vaidosa, eu tentei usar minha careca de todas as formas possíveis para  me sentir bonita, com perucas, tiaras, lenços, turbantes e, é claro, sempre maquiada. Nas minhas sessões de quimioterapia eu sempre fazia um look diferente e motivava várias outras pacientes a se arrumarem também. Além do cabelo, eu senti bastante a queda dos meus cílios e sobrancelhas, mas nada que uma boa maquiagem, cílios postiços e sobrancelhas de renna não pudessem resolver. Os outros pelos do meu corpo também caíram todos, mas esses eu até gostei, pois não precisei de depilação por um bom tempo rsrsrs.
Como foi retirar o seio?
(W.N.): Por incrível que pareça essa não foi a pior parte. Antes de entrar na sala de cirurgia eu rezei muito e só pedi a Deus e Nossa Senhora que não me abandonasse e que quando eu saísse de lá o “que tinha de ruim” dentro de mim tivesse sido retirado. Eu estava bastante tranquila, até me despedir da minha família, aí não contive a emoção. Entrei no centro cirúrgico um pouco nervosa, afinal eu iria sair de lá sem um dos meus seios, mas entreguei a Deus que sairia de lá  bem e sem o câncer em mim. Foram longas 5 horas de cirurgia, onde realizei uma mastectomia radical (retirada total do seio esquerdo), e ainda na mesma cirurgia a reconstrução do mesmo com a implantação de um expansor permanente. A cirurgia foi perfeita, minhas cicatrizes são bastantes discretas e o meu seio mastectomizado ficou muito parecido com o outro,  mesmo assim meu cirurgião plástico indicou que eu realizasse a reparação do seio direito, que eu devo fazer até o final deste ano, para que eles fiquem totalmente assimétricos.
Você tem uma força incrível, mas ficou algum sonho para trás?
(W.N.): Infelizmente o meu sonho de engravidar deverá ficar para trás. Não é impossível, mas ficará muito difícil após o tratamento eu realiza-lo. A medicação oral que tomo diariamente, a qual anteriormente foi indicada para 5 anos, segundo os novos estudos, o mais seguro seria continuar tomando por 10 anos, então infelizmente devido minha idade, de forma natural não será recomendado, pois esta medicação pode gerar má formação fetal, além do risco do câncer retornar caso eu deixe de tomá-lo. Eu e meu marido somos muito abertos à doação, e pensamos muito a respeito e num futuro não muito longe quem sabe nossa família não venha a crescer. Deus proverá!
O que você teve que deixar de fazer por causa do tratamento?
(W.N.): Devido a minha imunidade ter ficado baixa devido às sessões de quimio eu precisava me resguardar bastante. Eu evitava contato com muitas pessoas, especialmente em locais públicos, além da minha alimentação que mudou completamente. Pra mim o mais difícil foi ter que ficar um pouco reclusa em casa. Eu sempre fui muito ativa, dinâmica e inquieta, gosto muito de sair, ver gente, ir para academia, festas, praias, salão, fazer supermercado, etc, e ter que me privar de tudo isso temporariamente foi um pouco difícil pra mim.
Você obedecia à rica todas as orientações dos médicos e profissionais que auxiliavam no sei tratamento?
(W.N.):  Eu sempre fui muito obediente ao tratamento e tinha uma vontade enorme de ficar boa, por isso não me deixava abater. Eu sabia que seria uma fase e que se eu me cuidasse direitinho, ficaria boa logo, e isso me fortalecia.  Todas as indicações dos profissionais, médicos e  nutricionistas eu seguia à risca. Sete dias após a quimio, eu precisa descansar bastante, e tentava ocupar os meus dias vendo filmes e seriados na tv, fazendo minhas próprias unhas e montando looks com amarrações com meus lenços. Após esses 7 dias, que eu chamava de reclusão, eu já mudava minha rotina e como eu tenho a sorte de ter um marido educador físico fazíamos treinos leves diariamente com alongamentos, seguido de caminhadas leves e um treinamento funcional direcionado, especialmente para o meu braço esquerdo (lado mastectomizado), que eu precisava movimentá-lo com moderação. Criei também uma comunidade no facebook chamada Wivi Guerreira (www.facebook.com/wivigueira), onde eu contei tudo o que aconteceu desde o início e o qual eu a mantenho até hoje. Foi muito importante manter essa página, pois eu reencontrei amigos que não via há muito tempo e conheci novas pessoas que também estavam passando pela mesma situação.

Qual foi a melhor noticia da sua vida?
(W.N.): Já recebi diversas boas notícias na minha vida. Mas acredito que o final mesmo de tudo (após 10 anos) quando a médica der o diagnóstico de cura total, sem dúvidas essa será a melhor ou uma das melhores notícias da minha vida.
Que lição de vida você tirou de tudo isso?
(W.N.): Tive a certeza que sem Deus não somos nada. Desde o dia seguinte da descoberta eu deixei minha tristeza de lado e fui à luta, mas com a certeza de que eu não estava sozinha. Sem o apoio incondicional do meu marido, da minha família e amigos eu acredito que não teria tido a força que tive para vencer essa batalha. Seguir todas as recomendações médicas também foi primordial, mas a minha fé me sustentava, a minha fé me salvou.
E como está sua vida hoje?
(W.N.): Hoje eu estou muito bem. Retornei ao mercado de trabalho desde outubro do ano passado e desde então minha vida tem voltado ao normal. Concluí minhas vacinas em Janeiro desse ano e atualmente só tomo a medicação oral diária que será até Junho de 2024. Minhas consultas são semestrais e no mais tudo voltou a sua normalidade. Meu cabelo já cresceu bastante e minha vida social também foi retomada, com  viagens, festas e praias. Tudo que eu gostava de fazer antes já retornei.
Que mensagem você deixa para as mulheres que, assim como você, estão passando por essa luta, que é o câncer de mama.
(W.N.):  É preciso ser paciente e não deixar a tristeza tomar conta de você. Por mais chato que seja o tratamento você não pode deixar ele te vencer. Você tem que ser mais forte que o câncer, seguir todas as recomendações e entregar tudo nas mãos de Deus. A gente pode perder tudo, cabelo, sobrancelhas, cílios, tudo, só não pode perder nunca a fé e a esperança em Deus.

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