sábado, 20 de fevereiro de 2016

Maternidade e tolerância

O segundo artigo de Chrys Melo para o nosso blog veio para dar o que falar, mas antes de tudo, para refletir antes de falar. Ela comenta a polêmica da semana, sobre o post de uma mãe no facebook que foi massacrada pela opinião pública. Vamos conferir?

"Sempre tive muito respeito por mães (naturais e adotivas), de maneira geral. Porque mãe é, geralmente, quem defende, quem resolve tudo e quem fica. Esse respeito só fez aumentar depois de ter me tornado mãe eu mesma, de ter passado pela gravidez, pelo parto e pelos primeiros 3 meses com bebê em casa.

Acho que cada uma faz o melhor que pode, dentro das suas possibilidades, suas crenças e seu estilo de vida. O que eu acredito ser o melhor para o meu filho não é, necessariamente, o melhor para o seu."...

Por essa razão, fico sem palavras diante desse movimento do “sou mais mãe do que você” que, por mais inacreditável que pareça, vem de pessoas que poderíamos considerar "instruídas" ou até mesmo “cultas”. Esse movimento parece coisa de recreio em escola onde um se acha melhor que o outro porque o carro do pai é mais novo, ou seja, um joguinho infantil e nada construtivo.

Para saber do que estou falando, é só ler alguns blogs ou alguns posts nas redes sociais. Algumas consideram-se mais mãe porque "pariram"(a palavra está na moda) o filho de maneira natural, mais mãe porque amamentam o filho até ele dizer chega, mais mãe porque fez uma pausa profissional e se dedica 24 horas, 7 dias por semana à criação dos filhos.

Primeiramente, gostaria de parabenizar todas que fazem isso tudo ou parte. Parabenizo porque sempre admiro quem consegue fazer o que quer. Mas isso não as tornam mais mães do que ninguém. Se a amiga não faz o mesmo, a decisão é dela. Se a vizinha não faz o mesmo, a decisão também é dela.

Aquela que fez a cesariana programada (por escolha própria ou do médico) é tão mãe quanto a que teve parto normal, que é tão mãe quanto a que dá leite industrializado ao filho, que é tão mãe quanto a que voltou a trabalhar em 3 meses porque quis ou porque simplesmente não podia ficar em casa.

Afinal, o que é ser mãe? Olhando no dicionário: "s.f. Aquela que gerou, deu à luz ou criou um ou mais filhos. Fêmea de animal que teve cria(s) ou oferece proteção ao filhote que não é seu." Não existe nenhuma especificação sobre como dar a luz, modo de alimentação do filho ou maneira de criá-lo.

Nos dias de hoje, poucas pessoas fazem escolhas sem ter conhecimento de causa, a não ser que morem no meio do nada, sem acesso à internet ou à televisão. E essas pessoas com certeza não irão ler o post no facebook ou o blog. Então, porque esse assédio moral? A informação está disponível para todos. Então, deixe cada uma decidir por si mesma.

Acho que a maternidade já é algo muito complexo em si, com todos os seus bons momentos e desafios. É preciso haver mais solidariedade entre as mães porque todas passamos por sufocos, seja na gravidez, no parto, no pós-parto, na criação dos filhos, etc. Vamos parar de julgar a outra e dar apoio, não palpites.
Ser tolerante é algo que aprendemos em casa, desde cedo. Os nossos filhos nos copiam, seguem o exemplo. Não podemos ensiná-los a respeitar o próximo e suas escolhas, se nós mesmas não o fazemos, ainda mais em assuntos tão delicados e pessoais.

Descobri muitas coisas ao me tornar mãe (falarei mais sobre isso). E bem cedo, ainda grávida, percebi que pouco importa o que você faça com os seus filhos, sempre encontrará alguém que vai achar errado. Então, faça o que você pensa que é o melhor para si e para a sua família. E quando se sentir pressionada para fazer algo que não queira, responda a essa pergunta: quem levanta de madrugada para pegar o seu bebê que chora no braço? É a amiga que vive dando palpite? A fulana que faz comentário no facebook? Ou é você?

Chrys Melo

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