quinta-feira, 17 de março de 2016

Mulheres francesas não engordam

Pelo menos esse é o titulo do livro de Mireille Guillano, uma francesa que mora nos EUA, lançado no Brasil pela editora Companhia das Letras há alguns anos.

Mas será que as francesas não engordam mesmo?




Antes de começar a ler, saiba que esse texto é baseado em simples observações do cotidiano de quem vive desde 2007 em Paris. Não levem tão a sério, viu?


Para começar, existem francesas gordas, mas elas são a minoria, principalmente em Paris. Se, de passagem pela capital, você cruzar com uma gordinha ou duas, aproxime-se… existe 99% de probabilidade de que não estejam falando francês.

Além da genética favorável (que sempre ajuda, mas pode ser modificada com o tempo), na França a regra de base, que você aprende desde criança, é “manger equilibré” ou seja, comer de maneira balanceada. Nada de arroz, macarrão e batata no mesmo prato. Ou uma coisa ou outra. Até mesmo porque muitos acompanham as refeições com pão.

Não comer entre as refeições também faz parte dessa busca pelo equilíbrio alimentar. As refeições são três por dia para os adultos e quatro para as crianças, que fazem um lanchinho entre 16h e 17h, o famoso “gouter”. Bem cedo, todo mundo entra nesse ritmo, inclusive os bebês. A partir da adolescência, esse lanchinho da tarde vai desaparecendo aos poucos. Na idade adulta, ficam apenas três refeições e olhe lá!

Digo olhe lá porque conheço casos e casos de pessoas que, para manterem a magreza, criaram hábitos estranhos, e eu diria até perigosos para a saúde. Uma começa o dia com um café e um cigarro. Só vai se alimentar mesmo na hora do almoço. Outra almoça um pacote de 200g de presunto…. nada mais.
Também tem a que almoça normalmente (sem pão nem sobremesa) e janta sopa no inverno ou salada no verão (sem pão). Triste, não é?

E nem falei da que estava desolada porque engordou 1 quilo… depois de 5 meses de gravidez! No final da gestação, havia engordado um total de 5 quilos. Um mês depois do parto, estava mais magra do que antes de engravidar.

Eu sei… dá raiva!


Vamos partir do princípio que eu só conheço casos especias. Como o resto da francesada mantém a linha? Segundo as minhas observações, não é tão difícil assim. Primeiramente, apesar do sucesso do regime Dukan, eu nunca ouvi uma francesa dizer que está ou que estava de dieta. Elas sempre falam que prestam atenção no que comem (“je fais attention”). Essa atenção especial não estressa como um regime, mas ajuda a não exagerar. Por exemplo, se hoje você comeu um bolo de chocolate como sobremesa na hora do almoço, à noite vai comer algo leve como uma salada ou uma sopa. Mas não vale comer bolo todo dia e compensar com a salada à noite (principalmente se a salada for com molhos à base de creme ou de maionese). O bolo é uma vez por semana ou em ocasiões especiais. O objetivo é balancear o seu consumo em um dia ou dois. Assim, evita frustrações e não precisa fazer regime.

As francesas também comem de tudo um pouco, o tal “manger equilibré”. Para balancear a refeição, é só associar verduras ou legumes crus (alface, tomate, cenoura, beterraba, etc) ao resto. Se comem uma lasanha, acompanham de uma salada de alface, por exemplo. A vantagem é que são alimentos pouco calóricos e  ajudam com a sensação de saciedade.

Como eu disse antes, as refeições são apenas três por dia. Entre as mesmas, não há petisco, bombom, chocolate, suco… nada. Algumas pessoas são bem firmes nesse ponto. Lanchar é considerado coisa de criança.  Claro que algumas fazem uma exceção, mas depois tentam “balancear”  o resto do dia.

Durante as refeições, as mais tradicionais só bebem água ou vinho. Nada de sucos, refrigerantes ou cerveja. Sim, existe a geração da coca-cola com hamburguer. Mas vão beber coca-cola com o hamburguer e pronto. E só de vez em quando.

Outra coisa importante: não sentem culpa. Minha médica disse um dia que não é o croissant que engorda, mas a culpa que sentimos ao comê-lo. Porque se eu como o croissant pensando nas calorias consumidas, não vou sentir nenhum prazer, vou comer impulsivamente, com remorso, e vou passar o resto do dia me dizendo que não deveria ter comido o danado. Aí eu engordo. Se comesse com prazer, me deliciando com cada mordida, facilitaria a digestão do croissant  e me sentiria leve, não pesada. Não sei se existe alguma base científica para essa afirmação, mas na minha experiência pessoal, acho que ela tem razão.

Mas toda regra tem exceções. Em alguns momentos do ano, principalmente durante as férias e “les fêtes” (Natal e Ano Novo), come-se de tudo e em grandes quantidades (sem culpa). O detalhe é que mesmo nesses períodos, elas tentam comem menos no dia seguinte se exageraram na noite anterior e assim por diante. E depois logo recomeçam a “prestar atenção”.

Em Paris, anda-se muito e anda-se rápido. E todo mundo sobe e desce escada para pegar o metrô ou o trem. Nem todas as estações de metrô são equipadas com elevador ou escada rolante (os turistas que chegam cheios de malas que o digam!). E mesmo na escada rolante, ainda tem gente que sobe correndo (eu, a primeira culpada!). Claro que isso ajuda muito a manter a forma.

Então, vamos fazer como as francesas: parar de sentir culpa e se deliciar nas refeições... comendo de tudo um pouco, a gente emagrece sem esforço.


Chrys Melo

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